A Matemática de Deus

Jesus Cries Earth

Quando era bem pequeno, e morava no interior da Bahia, ganhei de presente do meu avô uma das coisas mais preciosas da minha vida, um livro chamado: ‘O Homem que Calculava: Aventuras de um Singular Calculista Persa’.

Trata-se de um romance infanto-juvenil, escrito pelo professor Júlio César de Mello e Souza, cujo homônimo era Malba Tahan. O livro conta as peripécias de um matemático chamado Beremiz Samir, que resolve e explica, de modo extraordinário, diversos problemas, quebra-cabeças e curiosidades da matemática.

Uma dessas histórias, no entanto, tornou-se a minha favorita e mudou, pra sempre, a minha forma de agir e de pensar. Vou contar um pedacinho dela agora:

– x –

A caminho de Bagdá, Beremiz e seu amigo encontram um homem caído na estrada. Estava sujo, fraco e ferido. Este homem chamava-se Salém Nasair, e era um dos mais ricos mercadores de Bagdá. Ao regressar, poucos dias antes, com grande caravana de mercadorias pela estrada, fora atacado por uma chusma de nômades persas do deserto. A caravana foi saqueada e quase todos os seus componentes pereceram nas mãos dos beduínos.

Salém conseguiu, milagrosamente, escapar com vida. Ao concluir a narrativa da sua desgraça, perguntou a eles com voz angustiosa:

– Tens alguma coisa que eu possa comer, estou quase a morrer de fome!

– Tenho três pães – respondeu o amigo de Beremiz.

– Tenho cinco pães – respondeu Beremiz.

– Sugiro, então, uma sociedade única – propôs o xeique. Quando chegar a Bagdá, prometo pagar com 8 moedas de ouro, o pão que comer.

Assim foi feito!

Ao ser recebido por um de seus ministros, o desventurado xeique narrou, minuciosamente, tudo o que lhe ocorrera no caminho, fazendo a respeito de seus dois salvadores, os maiores elogios.

– Vou deixar-vos, meus amigos. Antes, porém, desejo agradecer-vos o grande auxílio que ontem me prestastes. E para cumprir a palavra dada, vou pagar já o pão que generosamente me destes!

E dirigindo-se ao ‘Homem que Calculava’ disse-lhe:

– Você receberá, pelos 5 pães, 5 moedas de ouro!

E voltando-se para o amigo de Beremiz, completou:

– E você, pelos 3 pães, irá receber 3 moedas de ouro!

Todos ficaram surpresos, quando Beremiz objetou respeitoso:

– Perdão, meu xeique. A divisão, feita desse modo, pode ser muito simples, mas não é matematicamente correta! Se eu dei 5 pães devo receber 7 moedas; o meu amigo, que deu 3 pães, deve receber apenas uma moeda.

– Pelo nome de Maomé! – interveio o ministro, interessado vivamente pelo caso. Como justificar, tão disparatada forma de pagar 8 pães com 8 moedas? Se contribuíste com 5 pães, por que exiges 7 moedas? Se o teu amigo contribuiu com 3 pães, por que afirmas que ele deve receber uma única moeda?

O Homem que Calculava aproximou-se do prestigioso ministro e assim falou:

– Quando durante a viagem, tínhamos fome, eu tirava um pão da caixa em que estavam guardados e repartia-o em três pedaços, comendo cada um de nós, um desses pedaços. Se eu dei 5 pães, dei é claro, 15 pedaços; se o meu amigo deu 3 pães, contribuiu com 9 pedaços. Houve, assim, um total de 24 pedaços, cabendo, portanto, 8 pedaços para cada um. Dos 15 pedaços que dei, comi 8; dei na realidade, 7; o meu companheiro deu, como disse, 9 pedaços, e, comeu também, 8; logo, deu apenas 1. Os 7 pedaços que eu dei e que o meu amigo forneceu formaram os 8 que couberam ao xeique Salem. Logo, é justo que eu receba 7 moedas e o meu amigo, apenas uma.

O ministro, depois de fazer os maiores elogios ao Homem que Calculava, ordenou que lhe fossem entregues sete moedas, pois ao amigo cabia, por direito, apenas uma. Era lógica, perfeita e irrespondível a demonstração apresentada pelo matemático.

– Esta divisão – retorquiu o calculista – de sete moedas para mim e uma para meu amigo, conforme provei, é matematicamente correta… mas não é perfeita aos olhos de Deus!

E tomando as moedas na mão dividiu-as em duas partes iguais. Dando ao amigo quatro moedas, guardando para si, as quatro restantes.

– x –

Acho esse final maravilhoso! Uma lição de vida, para todos nós, de valor incalculável. E faz-me crer que, o que falta no mundo, não são pessoas inteligentes. O que falta no mundo, são pessoas com generosidade e de bom-senso. É muito simples, tornar esse mundo, um lugar melhor para todos. Pense um pouco sobre isso!

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