O Incrível Mito da Falibilidade Humana!


Existem textos que, de tão inspiradores, mudam milhares de vidas e os rumos da humanidade. Ainda quando sentava nas carteiras da faculdade, tomei contato, pela primeira vez, com a obra dos filósofos Samuel Gorovitz e Alasdair MacIntyre sobre a natureza da falibilidade humana. Fiquei tão impressionado que até a minha forma de ser perfeccionista mudou! De lá pra cá, sempre reflito sobre ele.

Gorovitz  e MacIntyre tentavam responder à pergunta: “Por que falhamos no que nos dispomos a fazer?”. As conclusões desse ensaio são decepcionantemente óbvias: por mais que tenhamos nossas habilidades ampliadas pelo conhecimento e pela tecnologia, boa parte do universo continuará além da nossa compreensão e do nosso controle.

Existe uma diferença básica entre errar e falhar; falhas são erros cometidos no campo profissional. Não somos oniscientes e nem onipotentes. Entretanto, à medida que a compreensão sobre a natureza aumenta, a fronteira do nosso controle se expande.

A troca massiva de informações, através de tecnologias Web, têm permitido acumular e redefinir um número enorme de conhecimentos – muitos deles considerados absolutos por séculos da nossa história. O mundo ficou pequeno e plano! Em muitas áreas, para não dizer todas, o controle já é totalmente possível. Somos capazes de construir prédios cada vez mais altos, prever furacões e terremotos, salvar pessoas de ataques cardíacos e construir aviões. A pergunta agora é: “Por que ainda falhamos?”.

Não falhamos por incapacidade intrínseca, mas por duas causas evitáveis e superáveis.

A primeira delas é a ignorância. Erramos porque a ciência proporciona apenas uma compreensão parcial do mundo e do seu funcionamento. À medida que a ciência avança, a compreensão aumenta, e consequentemente, passamos a falhar com menor intensidade.

O segundo motivo é a inércia. Falhamos por inércia quando o conhecimento existe, mas não é aplicado corretamente.

O cirurgião geral e endócrino do Hospital Brigham and Women’s, em Boston, Atul Gawande – também influenciado pelo texto –, observou que de uns tempos para cá, principalmente nas últimas décadas, a ciência avançou o suficiente para tornar a inércia a principal causa de fracassos nas atividades profissionais.

Evitar falhas profissionais exige anos de preparação acadêmica e práticas supervisionadas. A falta de habilidade ou perícia, não permite a aplicação do conhecimento disponível de forma consistente e correta. Seguir as normas, adaptar-se rapidamente às lições aprendidas e compartilhadas é outra forma de evitar falhas.

A complexidade que cerca nossas vidas aconselha-nos a não confiar na nossa memória e a sempre atuar em equipe. Recursos como lista de atividades ou checklist praticamente eliminam a incidência de falhas. Entender corretamente esse assunto permite iniciar as ações para evitá-las.

Portanto, lembre-se para sempre, e diariamente, disso: errar é humano, mas falhar, não!

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