O Dia em que Você (Leitor) Morreu!

Dias atrás, eu estava conectado na minha rede social, quando recebi uma solicitação de amizade de uma amiga, que não via há muitos anos. Apesar do tempo, consegui reconhecê-la quase que instantaneamente! Lembro-me que nossa última conversa tinha acontecido nas escadarias do colégio que estudamos, quando ainda éramos adolescentes.

As lembranças daquela época voltaram a surgir aos poucos, meio sem ordem, meio sem foco. Mas não demorou muito para que trouxéssemos de volta algumas histórias que tinham ficado esquecidas nas páginas do passado.

Através da janela de bate-papo, ficamos conversando por quase 10 horas ininterruptas. Entrei em um estado de encantamento, uma sensação de paz que não sentia há muito tempo, esqueci de dormir, de comer… não percebi. O tempo simplesmente havia parado.

O que mais me chamou a atenção, neste “encontro virtual”, foi que, apesar de nos comunicarmos através de textos, foi incrível perceber nela o mesmo “sorriso despreocupado” e o mesmo “brilho sincero no olhar” dos tempos de nossa juventude. E, principalmente, a mesma atitude de desafio frente às dificuldades da vida – dificuldades que, naqueles tempos, davam a impressão de que seriam facilmente superáveis, quaisquer que viessem a ser. Éramos convictos que nenhum sonho era impossível!

Tínhamos o tempo a nosso favor, e, principalmente, aquela saudável falta de medo, típica da juventude, que nos faz acreditar que o mundo em essência é simples e que os adultos vivem engajados em uma monumental campanha para torná-lo cada vez mais complicado.

Naquele momento, consegui ver, claramente, que a juventude não é uma fase da vida, ela é um estado de espírito, um feito de vontades, uma qualidade da imaginação, uma intensa e emotiva conquista da coragem sobre a timidez, uma vitória do gosto da aventura sobre o amor ao conforto.

Ao longo de minha vida, sempre conheci pessoas extraordinárias, que mudaram meu comportamento, minhas convicções e minha percepção sobre o mundo. E, pelas quais, tenho uma eterna dívida de gratidão. Com elas, aprendi, muito cedo, sobre a importância de sonhar.

Os sonhos dão sentido à vida. Fazem com que você tenha objetivos, são a verdadeira  motivação para se viver. Sonhos trazem alegrias e ajudam a superar obstáculos intransponíveis. Sonhar é aprender a sobreviver com graça e leveza.

Infelizmente, em algum lugar do passado, a maioria das pessoas perde essa capacidade de sonhar. Elas perdem o brilho nos olhos que faz mover montanhas. Esquecem-se que, um dia, já foram mais corajosas e bem mais confiantes do que são hoje. Não percebem que suas dificuldades presentes não são o resultado do muito que conseguiram se tornar: mas do pouco que deixaram de ser. Começam a viver um dia após o outro, sem rumo, sem objetivos, como um barco à deriva em alto-mar.

E se esse for o seu caso, eu sinto muito, você está oficialmente morto.

Por isso, pare agora e faça um balanço da sua vida. Volte ao passado, onde as palavras “sonho” e “impossível” são sinônimos perfeitos.  Reinvente-se. Pergunte-se, quantos dos seus sonhos de infância você conseguiu realizar? O que você precisa fazer para realizá-los? Comece a transformar isso tudo em um projeto, com atividades, datas e hora para acontecer.

Uma vida só se faz com ousadia e determinação. Ao longo dessas reflexões, você perceberá que não perdeu a sua juventude;  o que você perdeu, foi boa parte da confiança que tinha em si mesmo. Costumo dizer que os sonhos são o alimento de nossa alma… São eles a convergência entre o que vivemos todos os dias e o que ansiamos viver. É preciso se forçar para sonhar, só assim você perceberá que a estrada vai muito além do que se vê.

One comment

  1. O sonho me manteve viva muitos anos… Na ocasião, eu esperava com ansiedade a hora de dormir porque eu sabia que viveria outra vida na madrugada… Vivia para dormir e acordava preenchendo todo o meu tempo trabalhando para que o dia terminasse logo e eu pudesse ir ao encontro da minha outra vida! Não podia imaginar que aquela vida do sonho um dia se transformaria em realidade! Acho que falo sobre isso em um dos meus livros… Mas eu era uma jovem mulher que acreditava em fadas e duendes! Hoje sou mais cética e os meus sonhos são manifestações da minha alma, dos meus desejos mais profundos, sejam eles quais forem! Planos? Estrategias? Planejo meu trabalho, minha rotina, minhas ações estrategicas sobre qualidade de vida, mas como você brilhantemente representou na imagem – “o essencial é invisivel aos olhos” e eu complemento: inaudivel aos ouvidos! O coração é cego e surdo – ele apenas sente aquilo que não damos conta. Quando a visão aparece o a audição se manifesta me parece que esse pequeno Deus que habita em nós está deixando por nossa conta aquilo que ele nos apresentou subjetivamente… O sonho transpöe as barreiras do tempo e hoje continua me mantendo viva, mas de outra forma… Menos ingenua, talvez… Gosto muito dos seus textos! Eles sempre me conduzem a um adoravel desconforto…

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