Sobre biquinis e lingeries

Essa semana nosso colunista (que começou a escrever sobre si mesmo na terceira pessoa, sem motivo aparente) resolveu falar sobre moda intima e de praia e a sua (aparentemente desconexa) relação com o desenvolvimento de sistemas, a vida, o universo e tudo mais.

Antes de começar nossa análise, vamos primeiro passar por um momento de observação/reflexão: analise a foto abaixo. Qual das duas garotas está vestindo um biquíni e qual está vestindo lingerie?

Hey caras! Continuem a ler o artigo, por favor!

Tenho certeza que foi bastante desafiador (até para os que conseguiram prestar atenção nas vestimentas) distinguir quem vestia o biquíni e quem vestia a lingerie. Por quê?

Bom, para começar, visualmente as duas peças de roupa são bastante semelhantes. Embora conceitualmente separadas em diversos aspectos (roupa de banho versus roupa intima, por exemplo) quando colocamos os dois modelos acima lado a lado, em ambientes semelhantes, a maior parte das diferenças desaparece e um paradigma é quebrado.

Quantas ações em nosso dia-a-dia são limitadas por conceitos que não fariam a menor diferença caso fossem removidos? Quantos paradigmas poderiam ser quebrados, diariamente, se simplesmente prestássemos atenção para as regras que não fariam a menor falta?

Vamos pensar um pouco no mundo da tecnologia. Alguém ai pode me dizer, de verdade, qual a diferença entre Java e C#? Vistas de fora em um ambiente semelhante, as duas parecem a mesma coisa: são orientadas a objeto, baseadas em C/C++, rodam sob máquinas virtuais (eu sempre machuco os sentimentos de alguém quando digo que o .NET Framework é uma máquina virtual… desculpem), tem performance semelhante e para os usuários finais parecem exatamente a mesma coisa.

Muitas das regras que seguimos ou que prestamos atenção fazem sentido apenas dentro de um contexto específico. Quando tentamos generalizar ou entender seus princípios vemos que não há razão para manter a distinção entre as regras.

Que tal discutirmos (superficialmente) a diferença entre desenvolvimento cascata e espiral? Sério. Ninguém nunca disse que ao desenvolver em cascata você precisa fazer uma única, gigante e normalmente acima do custo e prazo iniciais, entrega. Você pode muito bem fazer vários mini projetos em cascata obtendo os mesmos benefícios do desenvolvimento espiral: diminuição da curva de mudanças, agilidade nas entregas e disponibilização de melhorias para as áreas de negócio.

As diferenças reais estão apenas nos conceitos: definições limitadoras que muitas vezes não fariam falta mas que limitam nossa liberdade na tomada de decisão e que diminuem a agilidade e capacidade de pensarmos fora da caixa.

Então, da próxima vez que for escolher uma metodologia, modelo de desenvolvimento, linguagem de programação, framework ou simplesmente a roupa que irá usar para sair, pare e pense: será que estou sendo limitado por um conceito sem importância e que não faria falta se não existisse?

Se a resposta for sim, parabéns, você acabou de quebrar um paradigma e tornar o mundo um lugar mais fácil para se viver.

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Ah! E, para aqueles que ficaram na dúvida, as duas fotos acima eram de lingeries.

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