TI: A Estrada para o Inferno

Anos de experiência acumulada se passaram, mas ainda é muito fácil ver um projeto de TI fracassar. Um dos principais motivos é a sua idealização de forma grandiosa, como quebra de paradigma para a sua empresa.

Estudos recentes, do Standish Group, indicam que a grande maioria dos projetos de TI ainda fica bem abaixo das suas metas e expectativas. Isso quando não são completamente abandonados. Para piorar a situação, os que não são abandonados, consomem uma estratosfera de recursos humanos, financeiros e de tempo, ou seja, ficam bem acima do orçamento, atrasam muito e produzem resultados abaixo das expectativas.  E, quanto maior e mais volumoso for o projeto, maiores são as chances de fracassar.

O Standish descobriu também que, quando os projetos de TI fracassam, o desastre é significativo.  A maioria dos excessos totaliza mais de 50% do orçamento original – sendo que os quase 25% que ficaram acima do orçamento excederam os custos em 100% ou mais.  Dos projetos que atrasaram, 48% demoraram mais do que o dobro do tempo planejado.  Dos projetos que foram completados, mas ficaram aquém das expectativas, mais de 30% deixaram de cumprir a metade das funções especificadas.  Descobriu-se, também, que quase todos os projetos – 94% – tiveram de ser reiniciados em algum ponto.  Alguns tiveram de ser reiniciados várias vezes.

A estrada para o inferno de TI é pavimentada de ambições grandiosas.  O estudo proporciona uma visão ainda mais surpreendente do destino dos projetos de TI.  Dos mais de 8 mil projetos de sistemas examinados, apenas 16% foram considerados bem-sucedidos – isso significa que foram terminados no tempo previsto, dentro do orçamento e com as especificações originais.  Cerca de um terço foi prontamente cancelado, e o restante ficou bem acima do orçamento, fora das especificações e atrasou muito.  As grandes empresas – aquelas com mais de 500 milhões de dólares em faturamentos anuais – tiveram desempenho pior do que a média:  apenas 9% de seus projetos de TI foram bem-sucedidos.

O que podemos extrair de experiência desses números? Em primeiro lugar, podemos afirmar que, quando se fala de TI, várias melhorias incrementais quase sempre resultam em benefícios maiores do que um projeto “estrondoso” em larga escala.  Segundo, deveríamos apostar nas tecnologias já provadas e padronizadas sempre que possível.  A construção de um sistema personalizado e proprietário sempre aumenta o nível de risco.  Terceiro, nós deveríamos nos afastar das tecnologias de ponta.  Quarto, e principal, CIOs deveriam ser implacáveis em manter expectativas realistas.  É muito fácil para as pessoas se apaixonarem pelas promessas da tecnologia, de vê-la como uma vacina para todas as doenças da empresa.

Muitas vezes, a principal premissa para o sucesso de um projeto, é negligenciada. Aquela que prega que você NUNCA deve iniciar um projeto sem ter todos os recursos “à mão”. Ou seja, assegure-se de que todos os envolvidos estão preparados, treinados e compreendem claramente os objetivos da nova empreitada, e que todos os recursos necessários para a sua consecução estejam prontos e disponíveis.

A capacidade de analisar apropriadamente uma iniciativa complexa – e em seguida chegar a uma conclusão bem-sucedida em tempo e dentro do orçamento – é uma das habilidades mais raras que são encontradas, contudo a mais valiosa, para as empresas que competem atualmente em um mundo que é, cada vez mais, plano.

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