A Síndrome do Sapo na Água Fervendo

Existe uma história, muito divulgada na Internet, que é conhecida como Síndrome do Sapo na Água Fervendo. Não sei se é verdade, mas como parábola ela tem muito a nos ensinar.

Reza a lenda que um sapo colocado numa panela sobre a chama, com a mesma água da sua lagoa, fica estático durante todo o tempo em que a água aquece. O sapo não reage ao gradual aumento da temperatura e morre quando a água ferve. Inchado e feliz, acostumado com a água de sua lagoa.

Por outro lado, outro sapo que seja colocado nesse recipiente com a água de sua lagoa já fervendo, salta imediatamente para fora da panela. Por favor, nem pensem em fazer isto em casa!!! Meio atordoado, porém vivo! Ele estranha, porque percebe que algo não está certo no seu costumeiro ambiente.

O mundo está mudando. E mudando numa velocidade tão grande, que são poucas as pessoas que estão conseguindo acompanhá-las em todos os seus detalhes. Em termos práticos, não perceber essas mudanças significa perda de tempo, oportunidades pessoais e de negócios, e uma consequente estagnação profissional. É morrer lentamente enquanto a água ferve.

Vou exemplificar o que estou dizendo com duas mudanças que, recentemente, me chamaram a atenção. A primeira delas aconteceu quando entrei num site para comprar livros. Em um passado não muito distante, quando não existia a Internet, tínhamos que nos deslocar fisicamente até a livraria mais próxima para comprar um livro. As livrarias não possuíam o formato que conhecemos hoje. Eram verdadeiros depósitos, com livros empilhados até o teto. Se a livraria não tivesse o livro que você estava querendo, você preenchia uma ficha, e com muita sorte, três meses depois, o livro estava chegando nela, e você tinha que se deslocar novamente para pegá-lo.

Com o passar dos anos, esses prazos foram diminuindo para dois meses, um mês, quinze dias. Ano passado, algumas livrarias em São Paulo, estavam com um prazo de entrega de menos de vinte e quatro horas (desde que você fechasse o pedido até às 15h00 e morasse na grande São Paulo). Eu já estava achando esse prazo incrível, quando sábado passado, vi que uma livraria estava assumindo a entrega para qualquer cidade do Brasil, em um prazo de 10 minutos após a confirmação do pagamento. Imagine que você more no Chuí, seja domingo às 03h00 e você compre um livro. Dez minutos depois, este livro já estaria em suas mãos para leitura.

Como isso é possível? Substituindo livros impressos por livros eletrônicos!

Com o advento dos e-books, todo o modelo de comercialização e de negócio desse ramo, está sofrendo alterações radicais. Redução de estoques, custos com impressão, preços, mão-de-obra, depreciação física da mercadoria, logística, só para citar alguns, não existirão mais na forma como os conhecemos hoje. Entretanto, muitos empresários, não perceberão isso. A água continuará aquecendo até que seja tarde demais.

A segunda mudança eu notei quando fui comprar um tênis para fazer musculação. Percebi que, todos os tênis de uma determinada empresa, possuíam um espaço para o acoplamento de um chip eletrônico.  Para mim, esse chip representa uma revolução na forma como as redes sociais se relacionarão com as atividades físicas do mundo real. Com ele você pode competir com qualquer corredor ao redor do mundo (que possua um chip semelhante). 

Funciona assim: você entra no site e combina com um ou vários corredores uma corrida para hoje de 10 km (por exemplo). Aí, em um horário qualquer desse dia, você sai correndo que o chip computa todas as informações necessárias para a competição. Após a sua corrida, você o conecta na entrada USB do seu computador e os dados são enviados para o banco de dados mundial dessa empresa. À medida que os competidores vão subindo suas informações, é possível visualizar a posição de cada um no ranking. Perceberam? Dessa forma é possível disputar uma corrida com vários corredores ao redor do mundo sem que você tenha de sair da sua cidade!

Como disse no início desse artigo, o mundo está mudando! É preciso estar em sintonia com os últimos acontecimentos sob pena de não mais conseguirmos acompanhar essas mudanças. Na medida em que vamos vivendo, acabamos não percebendo determinadas situações que acreditamos ser uma realidade “segura” e “imutável”. O mundo externo muda, mas nós continuamos ali, paradinhos, “quietinhos no quentinho”! E aí, assim como na história do sapo, poderá ser tarde demais.

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