O Homem que Criou a Eficiência

Foto de Maychel Anderson Nunes Techio

Para reagir rapidamente às mudanças impostas pelo mercado, uma empresa moderna deve ser flexível e possuir uma grande capacidade de adaptação.  Ao longo dos anos, um número grande de teorias administrativas vem identificando e explicando os vários fatores que afetam uma organização.  O entendimento destes fatores e suas interações permitem ajustar melhor as estruturas de uma empresa buscando sempre atingir uma maior eficiência operacional e financeira.

O início do século XXI foi marcado pelo crescimento do número de organizações e conseqüente incremento de produtos e serviços ofertados.  Isso introduziu significativa complexidade das interações entre clientes, mercados, governos e corporações.  A preocupação com a qualificação do trabalhador, sistematização e padronização das atividades, redução das perdas de materiais e eficiência nos processos de produção começaram a se tornar fatores decisivos de competitividade e sobrevivência das empresas.

A busca contínua pela eficiência operacional começou na mente e ações de um único homem: Frederick Winslow Taylor (1856-1915).

Taylor nasceu e foi criado em uma família de princípios rígidos.  Foi educado dentro de uma mentalidade de disciplina, devoção ao trabalho e poupança.  Iniciou sua carreira como operário da Midvale Steel Co., passando por vários níveis hierárquicos até chegar a engenheiro, após se formar no Stevens Institute.

Taylor observou que um operário no nível operacional, em média, produzia muito menos do que era potencialmente capaz.  Percebeu que a falta de padronização das atividades e a utilização desordenada de tempos e movimentos levava a grandes perdas financeiras e de material, elevando o custo final dos bens produzidos.  Objetivando elevar a eficiência industrial de produção, começou a observar e medir todas as atividades executadas pelos operários para atingir um determinado fim.  Essa tentativa de aplicação dos métodos da ciência aos problemas da administração ficou conhecida como Administração Científica.

Ele começava identificando o trabalho a ser feito, decompondo-os em suas operações individuais.  Em seguida designava a maneira certa de realizar cada operação.  Por último, reunia as operações, desta vez na seqüência em que poderiam ser realizadas mais rapidamente e com maior economia de tempo e movimentos.

Taylor foi o primeiro a perceber que esta racionalização do trabalho dos operários deveria ser acompanhada de uma estruturação geral da empresa.  Seus princípios partem do pressuposto que o operário não tem tempo, formação e nem meios para analisar seu trabalho e estabelecer racionalmente o método ou processo mais eficiente.  Segundo ele, deveria ocorrer uma repartição de responsabilidade:  a administração (gerência) ficaria com o planejamento (estudo do trabalho do operário e o estabelecimento do método de trabalho) e a supervisão (assistência contínua ao trabalhador durante a produção) enquanto o trabalhador fica somente com a execução do trabalho.

Suas idéias sobre as técnicas de racionalização do trabalho do operário, por meio do estudo de tempos e movimentos, foram publicadas em 1903, no livro Shop Management (Gerenciamento de Oficina).  Neste livro, ele formulou os princípios fundamentais da Administração Moderna.  Taylor anunciou que o objetivo da Administração é pagar salários melhores e reduzir custos unitários de produção.  Era necessário estabelecer processos padronizados que permitissem o controle das operações.  Os empregados deveriam ser colocados em seus postos com materiais e condições adequados para que as normas pudessem ser cumpridas.  Mostrou que os empregados devem ser treinados para aperfeiçoar suas aptidões e executar uma tarefa para que um nível médio de produção seja cumprido.

Numa época em que a grande maioria dos trabalhadores não possuía qualificações profissionais, a decomposição de grandes e complexas atividades em tarefas menores e mais simples, permitiu que esta grande massa de trabalhadores fosse aproveitada com custos e tempos reduzidos em seus treinamentos.

Tudo isso hoje parece óbvio, mas em um cenário de caos em que se encontravam as fábricas no início do século, Taylor teve o grande mérito de perceber que a solução era sistematizar e formalizar suas hipóteses nos moldes da ciência tradicional.  Aplicando a observação e a mensuração, implantou o estudo sistemático da administração com base nos métodos e procedimentos científicos.  Por suas contribuições, Taylor é considerado o fundador da moderna Teoria Geral da Administração. A Administração Científica foi o primeiro passo na busca de uma teoria administrativa.  A preocupação em criar uma Ciência da Administração começou com a experiência concreta e imediata do trabalho de operários e com a ênfase colocada nas tarefas.  O sucesso de seu modelo administrativo parte do princípio que uma atividade complexa deve ser subdividida em atividades menores e mais simples.  Depois da redução da complexidade, o profissional é treinado e especializado em uma das atividades menores (específica).  Este processo torna o profissional “superespecializado” em uma única tarefa.

No modelo da Administração Científica, um operário juntamente com os instrumentos e ferramentas que dispõe para executar sua atividade, são vistos como uma única engrenagem, de um conjunto de engrenagens, que compõem a empresa.  O esquema rígido e individualista proposto por Taylor oculta os grandes benefícios da estrutura informal de uma empresa.

Apesar do nome que leva, a Administração Científica foi muito criticada por não apresentar comprovação científica das suas proposições e princípios.  Na verdade, Taylor baseou-se em apenas dois procedimentos científicos:  a observação e a mensuração.  Neste modelo, o conhecimento é alcançado pela evidência colhida e não pela abstração da amostra.  Os aspectos mais importantes se referem ao como e não ao porquê da ação dos operários.

Outro ponto fundamental é que Taylor se concentrou no nível de execução para elaborar seus princípios.  A interação e complexidade dos níveis superiores não foram consideradas com tanta ênfase.  Isso provocou distorções em seus resultados.  A eficiência e a eficácia de uma empresa é gerada pela ação de todas as partes que compõem esta empresa – tangíveis (recursos físicos) e intangíveis (fatores psicológicos, sociais, etc).  Por este motivo, a teoria de Taylor é considerada inacabada e incompleta.

A Administração Científica visualiza as empresas como se elas existissem isoladamente.  Analisando seus funcionamentos como se fossem sistemas fechados, vislumbram-se cenários de estudos com poucos aspectos importantes, de comportamentos previsíveis e, principalmente, de pouca utilidade prática.  Hoje, sabe-se que é fundamental desenhar cenários econômicos com alto grau de interação entre empresas e mercados com o objetivo de adquirir vantagens competitivas.

Contudo, as limitações e restrições acima não apagam o fato da Administração Científica ter sido o primeiro passo na busca de uma teoria administrativa.  A maioria das idéias de Taylor é usada até hoje, e resolvem uma enorme gama de problemas nas empresas.  Seus princípios aplicam-se a diversas situações do mundo atual e sua busca incessante e quase obsessiva, por maiores ganhos de eficiência e produtividade, revolucionou os meios de produção de massa da atualidade.  Graças às iniciativas de Taylor, a Administração Científica foi, em última análise, um passo pioneiro, revolucionário e irreversível para o mundo moderno.

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